Início das aulas! Primeiro dia de duzentos exaustivos, divertidos, agradáveis, inesquecíveis, engraçados e “micados” dias de aula. Argh! Foi só isso que JB conseguiu falar (se é que isso é falar!) quando sua irmã o acordou naquela manhã. Belly, sua irmã gêmea, estava radiante por voltar às aulas. O garoto não conseguia entender como alguém em sã consciência poderia achar legal voltar para escola. Para ele seria a mesma agitação de todo início de aulas, o entusiasmo limitava-se a rever os velhos amigos. Para ela, além de rever as amigas, era um dia que prometia ser cheio de novidades: professores novos (será?), novas disciplinas, talvez novos amigos (será que chegaria alguma menina que a superasse nas boas notas? Esperava que não! E algum menino mais interessante que os amigos chatos do irmão?). Será que alguma regra da escola mudaria? Poderiam expulsar todos os “chatonildos” dos meninos! E o 7º ano? Seria mais difícil que o ano anterior? O 6º ano, apesar de todo clima aterrorizante criado pelos pais, nem chegou a fazer cócegas na menina! Se o 7º ano fosse um pouquinho só mais difícil seu irmão ia ver só! Indo para o Colégio, precisou de apenas um semáforo para despertar o Bicho-papão-reclamão que estava adormecido dentro do pai durante as férias. O trânsito caótico da cidade era capaz de revelar um lado nada agradável das pessoas. O pai de JB e Belly despejou reclamações que iam das condições do asfalto, tráfego intenso, motoristas atrapalhados e vagarosos, poluição e sobrou até para a moça da previsão do tempo do jornal do dia anterior (ela se enganou, mais uma vez, como se fosse possível acertar a previsão meteorológica nos dias de hoje!). Ainda bem que o caminho era curto, nada que os fones do I-Pod não lhes poupasse. Começou o primeiro dia do ano letivo. Abraços, beijos cheios de carinho e gritinhos histéricos das meninas e cumprimentos estabanados seguidos por palavras nada delicadas dos meninos. Um dia de emoções oscilantes e contraditórias: alegria, entusiasmo, preguiça e euforia. Na volta para casa, os irmãos conversavam animadamente com a mãe sobre as novidades do retorno à escola, disciplinas novas, novos professores, colegas que não faziam mais parte da turma, colegas que estavam em outra sala e sobre os novos alunos. Tinha uma menina que viera do Japão. Que barato! Morar tanto tempo em outro país e agora ter que se adaptar a uma nova cultura. E os irmãos gêmeos? JB e Belly acharam que deveria ser muito mais legal ter um irmão gêmeo do mesmo sexo, com certeza não deveria ter tantas brigas entre eles. Mas, e o menino novo que se sentou na primeira carteira? Na hora do lanche pegou um saquinho de papel de onde tirou um lanche estranho, com um pão esquisito e tomou algo de uma garrafinha que voltou a guardar... Cadê o x-burguer e o refrigerante borbulhante? Só faltava ele dizer que não mascava chiclete!!! Belly não pôde deixar de reparar que cada vez que um aluno levantava-se e ia jogar alguma coisa no lixo ele fazia uma anotação no final do caderno (será que ela não estava prestando atenção direito? Já tinha coisas para anotar? Não! Ela teria percebido algo de importante na aula dos professores que merecia ser registrada). Os irmãos concordaram (em uma das poucas vezes que isso acontecia!) que ele era um pouco...estranho. Meio quieto e com uma camiseta com uns dizeres esquisitos: “2010 International Year of Biodiversity” Mas que raios era essa Biodiversity? Alguma nova banda de rock? Essa palavra lembrava alguma coisa de familiar, eles já haviam ouvido falar de algo parecido...